Objetivos do Grupo

Com o objetivo inicial de pesquisar e promover a audiodescrição, o projeto alcançou resultados positivos, tais como: a audiodescrição de curtas-metragens para festivais nacionais (Salvador (2010-2011) e internacionais (São Paulo, agosto de 2007); a parceria com a Escola de Dança da UFBA, que deu origem ao projeto TRAMADAN (Tradução, Mídia, Audiodescrição e Dança – maio de 2008), promovendo a audiodescrição em espetáculos de dança em Salvador e Curitiba; a audiodescrição de quatro longas para a TV nacional (setembro de 2008); a formação de audiodescritores através de cursos intensivos em Salvador, São Luís, São Paulo e Vitória; a audiodescrição para o DVD do filme Ensaio sobre a cegueira , de Fernando Meirelles, a audiodescrição de peças de teatro em Salvador, e muitos outros. O grupo também tem divulgado a audiodescrição no rádio (Rádio Dorina Nowill, Rádio FM Eldorado de São Paulo e Rádio Educadora de Salvador) e na televisão (TVE de Salvador e TV Cultura de São Paulo, TV Gazeta de Vitória), bem como em congressos e publicações nacionais e internacionais. A prática do grupo TRAMAD é baseada em pesquisa acadêmica e nos resultados de testes de recepção que ele desenvolve junto ao público-alvo.

Como conseqüência natural do interesse do grupo, o TRAMAD incluiu a legendagem para pessoas com deficiência auditiva em seu campo de estudos e de ação. Atualmente, o grupo também incorporou outros modos de tradução audiovisual que revelam o conceito de acessibilidade de uma maneira mais ampla, tais como: a legendagem aberta, o voice-over e a dublagem.

O que é ?

Legenda aberta: modalidade de tradução audiovisual (TAV) onde as falas de um produto audiovisual (ex. filme) são representadas na forma de texto escrito. Pode ser interlingual (de uma língua para a outra) ou intralingual (a fala e sua representação gráfica estão na mesma língua, ex. DVDs). Esta última é de grande utilidade para o ensino/aprendizagem de uma língua estrangeira ou para locais onde o volume deve permanecer baixo, como em hospitais, aeroportos, etc.

Legenda para surdos e ensurdecidos (LSE): modalidade de tradução audiovisual intralingual onde a fala e os sinais acústicos que acompanham a cena do produto audiovisual (ex. música, porta batendo, telefone tocando, vento soprando, indicação do falante, etc) são representados na forma de texto escrito. Na televisão aberta brasileira, este tipo de legenda é acionado através da tecla closed caption do controle remoto. A legenda para surdos e ensurdecidos também é definida como um recurso de tecnologia assistiva porque promove a acessibilidade para um público específico.

Audiodescrição (AD): modalidade de tradução audiovisual intersemiótica onde as imagens, ou sinais visuais, são descritas em áudio, ou sinais acústicos, entre os diálogos. Ela otimiza a compreensão de produtos audiovisuais pelo público com deficiência visual e intelectual. A audiodescrição também se aplica a imagens estáticas, como pinturas, fotos, esculturas e slides de apresentação. Portanto, podemos encontrar a audiodescrição na TV, no cinema, no teatro, nos museus, em audiolivros, conferências e nas salas de aula. Ela pode ser pré-gravada (em filmes de TV, cinema, nos audioguias de exposições e nos audiolivros); ao vivo (em espetáculos de teatro e dança, conferências e salas de aula) ou simultânea (ex. em programas de TV ao vivo, que não possibilitam a elaboração de um roteiro anterior ao programa, portanto, neste caso, a AD é feita “na raça”). A audiodescrição também é definida como um recurso de tecnologia assistiva porque promove a acessibilidade para um público específico.

Audiolegendagem: não é propriamente uma modalidade de tradução audiovisual, mas acompanha a audiodescrição em produtos audiovisuais que contenham legendas ou informações gráficas (créditos, placas de rua, etc) em determinadas cenas, as quais devem ser lidas para o público com deficiência visual. Portanto, a audiolegendagem caracteriza-se pela leitura de material escrito disponibilizado no produto a ser audiodescrito.

Dublagem: modalidade de tradução audiovisual interlingual, onde a fala em língua original é substituída pela fala em língua traduzida. Neste caso, a sincronia labial é de vital importância para o bom produto final. Esta modalidade é usada principalmente em produtos audiovisuais de ficção, como filmes e seriados estrangeiros.

Voice-over: modalidade de tradução audiovisual interlingual, onde a fala em língua traduzida se sobrepõe à fala em língua original, a qual permanece levemente audível. Neste caso, a sincronia labial não existe, mas sim a sincronia de duração da fala. Esta modalidade é usada principalmente em produtos audiovisuais de não-ficção, como entrevistas de documentários em língua estrangeira.